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28 de jul de 2011

Pela paz, com voz e sem medo

Evandro Junior

A campanha ‘Paz sem voz é medo’, lançada pelo Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCom) para fomentar a discussão sobre violência e insegurança no Estado, oportuniza reflexão sobre o enfrentamento do problema evidenciado por números. Na última década, o Paraná viu sua posição no ranking de homicídios entre a população adulta avançar da 14ª posição para a 9ª. Essa evolução negativa foi impulsionada pelas estatísticas de Curitiba, que passou de 18º para 5º lugar entre as capitais que lideram os índices de assassinatos de jovens no país.
O número de mortes por 100 mil habitantes no Paraná é de 32,6 pessoas (a média nacional é de 25) e mais uma vez a capital do Estado infla esse dado com 40 assassinatos (na região metropolitana esse volume alcança 62). O problema não é tão simples como resumiu recentemente o secretário de Segurança. Reinaldo de Almeida César, atribuindo os indicadores negativos ao sucateamento do aparato policial nos últimos anos por falta de investimentos. Ainda que isso seja verdade, o que se observa de fato é o fracasso do modelo de segurança adotado pelo Estado.
O modelo repressivo que define as ações de segurança no país está falido. Falta antecipação, planejamento e prevenção. De nada adiantam ações pontuais, reativas diante de ocorrências trágicas. É preciso organizar a segurança a partir de uma percepção mais ampliada do problema, o que inclui o viés social. Não estou aqui a defender um perfil tolerante para o aparato policial. É importante as medidas repressivas, as respostas rápidas a fatos violentos que exijam a rápida intervenção dos agentes de segurança.
Mas o número surpreendente de assassinatos registrados anualmente no país, cerca de 50 mil, corrobora a convicção de que a guerra contra a criminalidade está a espera de ações que identifiquem as causas e não atuem apenas nas conseqüências. Nesse contexto, a prevenção assume sua face mais importante: a de antecipar ocorrência e evitá-las. Claro que são necessários mais investimentos na modernização do aparato policial, com ampliação do quadro e aquisição de equipamentos, e pagamento de melhores salários, mas é preciso rever o modelo repressor.
Como as estatísticas apontam enorme mortandade de jovens, a maioria envolvida com drogas e, em conseqüência, em crimes para alimentar o vício, defendo políticas de segurança que alcancem especificamente essa faixa etária. Tenho insistido na criação de uma ‘cultura da paz’ nas audiências públicas para discutir bullying e violência nas escolas, iniciativa da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, da qual sou presidente, convencido de que o ambiente escolar e seu entorno reivindicam atenção mais concentrada do poder público.
Não vejo resultados positivos, a longo prazo, num modelo meramente repressor da violência, considerando a curta distância entre causa e conseqüência. A raiz do problema está na falta de perspectiva, nos desarranjos familiares e na ausência do Estado para proporcionar educação, trabalho e lazer aos jovens. O resultado dessa omissão surge em números trágicos, como bem demonstram as estatísticas. Insistir na intolerância sem a contrapartida dos investimentos na área social é persistir na defesa de um modelo fracassado de combate da criminalidade.

Evandro Junior é deputado estadual e presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa.

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